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Gestantes "fashion" estimulam criação de lojas especiais

Por Henriete Mirrione | Para o Valor, de São Paulo

O corpo na gravidez pede roupas que se ajustem à nova  silhueta. De   olho nisso, donos de empresas de pequeno porte visualizam  um novo   nicho: o de roupas diferenciadas para gestantes exigentes. A  empresária   Vera Moraes, por exemplo, estava grávida e insatisfeita com o  que   vestia. Em uma de suas viagens aos Estados Unidos, vendo o que o    mercado da moda de lá oferecia, começou a importar as peças. Assim    nasceu, em 1996, a Mammy Gestante, em São Paulo.

A ideia fez sucesso e a empresária optou por produzir peças no    mercado interno com modelagens sofisticadas, sistemas de ajustes,    conforto e tecidos de qualidade em linhas para todas as ocasiões: do    beachwear à moda noite, passando pelo casual. A marca tem duas lojas na    capital paulista, uma no Shopping Iguatemi e outra na Vila Nova    Conceição, e, em breve, vai inaugurar mais um ponto.

Atualmente a empresa tem uma produção anual de 12 mil peças e fatura    R$ 3 milhões - 80% vindos das vendas nas lojas e 20% dos negócios por    atacado para multimarcas de sete estados brasileiros. "Nossa meta é    atender todo o Brasil por meio de representantes", diz Vera.

Outra marca que pretende aumentar as vendas no atacado é a paulista    Maria Barriga, dos empresários Renato Vilas Boas e Eliane da Fonseca    Vilas Boas. Há planos de expansão segmentados entre a Grande São Paulo e    as regiões Sul/Sudeste-Norte/Nordeste, que serão implantados a partir    do primeiro semestre de 2012, após adequações estruturais que estão em    andamento. Para o varejo, a empresa estuda investimento em uma nova   loja  na capital paulista, além de um novo site e comércio eletrônico.

A Maria Barriga nasceu em 2003 da vontade de fazer moda para uma    grávida que tem prazer em se vestir, unindo sofisticação e bem-estar a    um investimento inicial de R$ 200 mil. Hoje, o estilo casual chique da    marca está presente em 150 artigos por coleção e pode ser encontrado nas    duas lojas próprias em São Paulo, nos bairros de Vila Olímpia e Vila    Madalena, totalizando 65% das vendas, e também em mais de 20    revendedores pelo Brasil, com maior representatividade no Sul e no    Sudeste.

Além disso, a empresa exporta para Portugal, Angola, Japão e Canadá -    esse negócio representa de 1% a 5% do faturamento anual. "A médio    prazo, queremos entrar em mercados como Europa e Estados Unidos", conta    Renato.

A Be Mammy, com sede em Jundiaí, interior paulista, comercializa    peças apenas pela internet e conquistou uma grande clientela, vencendo    uma enorme barreira do segmento: a necessidade que a mulher tem de    provar as peças antes de comprar. A empresária Rose Engholm investiu na    produção de roupas com um apelo mais atual, com linhas de casual a mais    sofisticada.

A loja virtual Be Mammy, é uma das maiores em atividade no Brasil,    oferecendo peças com valor médio de R$ 120, sendo o jeanswear o grande    destaque. Ela possui serviços de troca em sete dias e não cobra frete.    "As vantagens da venda on-line estão na capilaridade, menor custo fixo e    velocidade no atendimento", diz a empresária que pretende alcançar a    marca de 50 entregas por dia ainda neste ano.

A marca paulista Zazou também despontou nesse nicho do mercado.    Inaugurada em 2001, sob o comando da empresária e estilista Daniela    Lobo, a primeira Zazou pour Maman et Bebé visava ser uma loja somente de    varejo, mas, com a crescente demanda, diversas multimarcas passaram a    comprar por meio de atacado. Hoje a empresa possui 20 representantes    espalhados pelo país, atuando nas principais cidades, principalmente as    das regiões Sul e Nordeste.

A Zazou também é umas das pioneiras quando o assunto é e-commerce de    roupas "descoladas" para gestantes. As vendas na rede começaram em 2004   e  atualmente representam 10% da produção anual, com valor médio de    produto menor do que o das loja. Na internet, são oferecidas as mesmas    peças comercializadas nos espaços físicos, inclusive as promoções.

As exportações também estão nos planos de médio prazo da marca.    Existe uma procura por representantes de países de língua portuguesa.    Contudo, as negociações ainda não se concretizaram em virtude de    problemas de custos e por causa da burocracia que as empresas de pequeno    porte enfrentam na hora de concretizar qualquer venda no mercado    externo. Agora, a grife também se prepara para inaugurar, em breve, a    sua maior loja em Moema, também na capital paulista.

"Acreditamos que esse nicho deve crescer mais de 10% no próximo ano.    Entretanto, hoje, o nosso maior concorrente não é outra empresa, mas   sim  o preconceito ocasionado especialmente pela falta de informação e    experiência prática, o que faz com que a cliente, em vez de comprar uma    roupa com uma modelagem própria e bacana para acompanhar toda a    gravidez, busque erroneamente uma roupa de tamanho maior em uma loja    normal, sem as adequações essenciais para o corpo na gestação", explica    Daniela.


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